sábado, 2 de junho de 2012

Escutas compulsivas - Vozes de pássaros

Não sei se isto é parte de algum distanciamento face à música mais global, mas sou cada vez mais um daqueles a quem um festival tipo Rock In Rio já não lhe diz nada. A avaliar pelo cartaz deste ano, as grandes estrelas são todas das décadas passadas. Eram os Smashing, os Linkin Park, Off Spring, Metallica, Stevie Wonder, Bruce Springsteen, James, entre outros, algo que, apesar da qualidade, ilustra a escassez de artistas ditos globais nos últimos anos e  no que respeita a bandas deste género eu já virei essa página e o único festival que me atrai é sempre o Super Bock/Super Rock, que mais uma vez tem um cartaz muito interessante.

Esta década está a ser relativamente penosa a nível de novos talentos no que respeita à música mais mainstream e Lana Del Rey é uma dessas raras gaivotas que apareceu ano passado para fazer a diferença. É difícil para quem gosta desta onda sonora não ter uma pancadinha por ela devido à dualidade que é a sua figura, um misto de casta e pecadora em doses iguais. Um orgasmo musical provocado por uma sedutora nata. Para além do rosto de boneca, das transições vocais que consegue fazer e que a distinguem das demais, das sensações atmosféricas que a sua música transmite, a alguma orquestração que incute nela, aos bem conseguidos vídeos que protagoniza, ela vai deixando a sua marca logo ao primeiro álbum. Enquanto que vedetas tipo Rihanna ou Lady Gaga são produtos de marketing, esta Lana é cantora.  Lana del Rey que na realidade se chama Elizabeth Grant é um dos casos que demonstram que o carisma de um artista raramente se desenvolve, ou se nasce com ele ou dificilmente algum dia o teremos. Espero estar perto dela no próximo SB/SR nessa Herdade do Cabeço da Flauta (ainda gostaria de saber quem foi o infeliz que inventou este nome tão vernaculoso).


Também gosto imenso da Yukimi Nagano. Conhecia-a através da sua participação vocal nos Koop, a minha mais coexistial banda, mas ela também tem o seu próprio agrupamento, os Little Dragon com um som que se distingue dos primeiros, embora a sua voz seja a harmonia de sempre. Um registo indie-eletrónico com R&B, estranhamente compatível. Não conheço outras cantoras orientais mas esta me satisfaz por completo. Espero estar pelas areias do Meco nesses dias para vê-la e ouvi-la. 


De Inglaterra bate as asas uma ainda pouco conhecida Birdy, de... pasmem-se... 16 anos e ainda com aparelho nos dentes. Para quem gosta de vozes estilo Tori Amos, Vanessa Carlton ou Jewel têm agora uma oportunidade de as verem reavivadas pela voz desta passarinha. Gostei imenso do seu álbum estreia, o homónimo Birdy, um envolvente registo reflexivo, melancólico, tão  bittersweet e Outonal...  A única certeza que tenho é que esta Birdy vai longe. 

8 comentários:

Catarina disse...

Também gosto de Lana Del Rey... Mas fico-me pela música dispenso a pancadinha por ela devido à sua figura :p

Quanto às outras, se já tinha ouvido algo da Yukimi Nagamo não associei ao nome da intérprete (eu e os nomes :D) mas agora ficou fixo, assim espero :)

Quanto à Birdy... Não me pasmo com a idade, uma vez que não é assim tão incomum aparecerem intérpretes com essa idade. Mas pasmo-me sim com a voz, que é de uma delicadeza bastante agradável. E o piano. Ai o som de piano!

Have a nice day, thanks for the musical news... I really enjoy it :D

Beijocas

Joana disse...

Eu não conhecia nenhuma e a única que gostei foi a última.

Beijinhos

Martini Bianco disse...

Catarina,
Pancadinhas, cada um tens as suas, ne?
Espero que a Yukimi tenha ficado fixada ;)
Há que saber distinguir "produtos de marketing" com 16 anos e quem realmente canta alguma coisa.
Foi nesse sentido que evoquei a idade dela.
You're welcome! :=)
Beijocas

Joana,
Já foi bom teres gostado de alguma :)

Beijinhos

FireHead disse...

Não conhecia a Yukimi Nagano. Em regra os(as) japoneses(as) falam muito mal inglês, pelo que é de admirar, pela positiva, que a Yukimi seja uma excepção. E uma bela excepção. Eu gosto imenso de música japonesa.

Em relação à passarinha, ainda tem de comer muito feijão... e isso é se entretanto não ficar pelo caminho na sua carreira.

Martini Bianco disse...

Fire, a Yukimi é sueca (loool) e não japonesa, embora o pai seja japonês e a mãe seja americana, logo o seu excelente accent inglês.

Espero que a passarinha não se fique por aqui, pois tem imenso potencial.

FireHead disse...

Lá está mais uma alegria proporcionada pelo multiculturalismo, amigo. Eu como não a conhecia, fui pelo nome, que é 100% japonês. Ela é mestiça, dizes-me tu? Então é porque engana bem, pois para mim ela parece mesmo 100% amarela, embora nessas coisas da genética não se consegue ter grandes certezas.

Martini Bianco disse...

Onde foi que eu disse que ela era mestiça?
Tu é que talvez tenhas partido do pressuposto racista, que a mãe dela era americana branca ou de outra cor qualquer que não seja a amarela, mas como os EUA são um país multiracial há séculos e onde mais de um terço da população é colorida, provavelmente a mãe dela, mesmo sendo americana deve ser de origem asiática. Penso eu...

FireHead disse...

Pois, assim, enquanto não soubermos, torna a questão numa faca de dois gumes... Deduzi apenas que ela é mestiça porque disseste que a mãe dela é americana. Sendo os EUA (ainda) um país de maioria branca (mais de 70%), parti do pressuposto que ela é branca, mas é claro que pode muito bem ser doutra raça, sim. Ainda assim, não retira uma vírgula do meu primeiro pensamento, o do multiculturalismo. Afinal de contas, ela nasceu na Suécia, o pai é japonês e a mãe é nacionalidade americana.

around the world

Geo [01-07-2012]